Vismund Cygnus

Human Monk

Description:
Bio:
A vida não começou a sorridente para o jovem Vismund. Mas podia ter sido pior. Abandonado em bebé à porta de um mosteiro, foi criado pelos monges de Cygnor que lhe deram o nome. Os monges de Cygnor eram bastante reservados, mas conhecidos nas redondezas pela sua perícia nas artes marciais que praticavam. Deste modo, Vismund cresceu isolado do resto do mundo e sob um rigoroso regime de treino. Mas podia ter sido pior. Aos 14 anos Vismund era o melhor lutador no mosteiro, excluindo claro os Mestres e os Altos Mestres. Uma vez quase venceu o Mestre Guan Yu. Anos mais tarde Vismund ainda considerava essa uma das suas memórias mais queridas. Todos estavam impressionados com a sua habilidade, mas preocupados com a sua falta de disciplina. Apesar de gostar da sua vida no mosteiro, Vismund sonhava em ver o mundo, viajar, quem sabe encontrar os seus pais e finalmente saber a resposta à pergunta que o remoía desde que se lembrava: porque raio é que o abandonaram num mosteiro no meio do nada? Ou pelo menos conhecer alguém que não fosse careca. E foi precisamente a primeira pessoa não careca que Vismund viu que o levou para um caminho diferente. Era uma noite de tempestade quando os monges trouxeram para o mosteiro uma viajante perdida. De cabelos negros e longos e olhos verdes, arrebatou imediatamente a atenção de Vismund. Longa história resumida, o par apaixonou-se e Vismund fugiu do mosteiro com Stella, a misteriosa viajante. E é muito pouco provável que pudesse ter sido pior. Stella era um isco para atrair um monge para fora do mosteiro de modo a roubar os segredos das artes marciais dos Cygnor. Vismund nunca esqueceria o dia em que chegou ao quarto da estalagem onde estavam e três estranhos homens esperavam por ele.

- Olá carequinha – disse um dos homens – é o seguinte, somos um… grupo de pessoas que está numa linha de trabalho em que dava muito jeito conhecer o lendário estilo de luta dos monges lá de cima da montanha. Dizes-nos o que sabes e quem sabe talvez ganhes alguma coisinha. Se te recusares, a coisa fica feia.

- Que trabalho? Quem são vocês? A arte marcial Cygnor é sagrada e honrada e não é para partilhar com mais ninguém, a não ser com outros irmãos monges. Onde está a Stella?!

- A Stella foi contractada para fazer um servicinho. Tirar um merdas pretensioso do mosteiro e traze-lo cá para fora. O serviço acabou e ela seguiu caminho. Nunca mais a vais voltar ver – disse um segundo homem tirando a espada da bainha que usava no cinto – Agora começa a falar ou coisas vão começar a ficar negras para ti.

- Não – disse Vismund, calmo e frio, com uma lágrima no olho – Vão ficar negras para vocês.
Quando os guardas da vila abriram a porta do quarto, encontraram três corpos e Vismund sentado no meio de uma poça de sangue. Este não resistiu quando os guardas o levaram. Chorou durante a noite inteira na sua cela escura e fria. Mas podia ter sido bem pior.

Na manhã seguinte um caçador de recompensas apareceu na cela do jovem monge. Pediu ao carcereiro privacidade e sentou-se no único banco da cela, olhando Vismund de alto abaixo.

- O meu nome é Dwight Stroyer. Sou um caçador de recompensas. Os três gajos que mataste ontem à noite eram os meus alvos. Custaste-me uma fortuna.

Vismund olhou pela primeira vez em condições para o homem presente na sua cela. A diminuta luz que entrava na divisão deixava ver alguns cabelos brancos na sua longa cabeleira preta e uma cicatriz por cima do olho direito. Usava armadura e uma espada que parecia assustadora até embainhada.

- Eu disse aos guardas lá fora que eras meu parceiro e que vieste à minha frente em reconhecimento disfarçado de monge mas que foste surpreendido pelos nossos alvos e acabaste por os matar sem querer. Sabes como é, coisa de novatos. Assim eu recebo o meu ouro e tu sais em liberdade.

Os olhos de Vismund esbugalharam-se. Poderia ser verdade? Poderia cometer um acto tão horrífico após ter voltado as costas a tudo o que conhecia e todos os que estimava?

- Dado que és um monge a sério e não a fingir, presumo que não saibas, mas nós caçadores de recompensas aqui em Whauvan, apesar de não estarmos acima da lei, estamos lá perto e em certos contractos temos autorização para matar. Tens sorte este ser um deles. E tenho de admitir miúdo, tu tens talento e a idade já vai pesando. Aceitas esta pequena proposta que te fiz e eu levo-te comigo. Ainda faço de ti um caçador de recompensas!

As últimas 24 horas de Vismund tinham sido um turbilhão de emoções maior do que o resto da sua combinada. Reflectiu (o melhor que podia) nas opções disponíveis. Ficar apodrecer naquela cela ou ser condenado à morte não lhe parecia uma decisão que quisesse tomar. Mas voltar ao mosteiro estava fora de questão. A Alta Mestre Tilda tinha-o avisado a primeira vez que tentara escapar. “Podes sair a qualquer momento” disse-lhe “mas se saíres sem a nossa autorização, nunca mais poderás voltar”.

- Vou contigo…

- Excelente! Vamos embora desta espelunca! Como é que te chamas?

- Vismund.

- Vismund quê?

- Só Vismund.

- Hum… Isso não pode ser. Tens de ter um segundo nome. Vá, pensa lá em qualquer coisa

- Cygnor… – murmurou depois de pensar algum tempo

- Cygnus? Que raio de nome é esse, Cygnus?

- Não, não é Cygnus, é…

- Vismund Cygnus. Até não é um mau nome. É um nome a que eu me podia habituar.

E assim começou a carreira de caçador de recompensas de Vismund Cygnus, há 13 anos atrás.

Vismund Cygnus

Mare Nostrum Pedro_Castelao