Mare Nostrum

Vismund no País d'O que raio se está a passar aqui?!
A minha vida costumava ser tão simples… Receber um nome e uma localização, ir à localização, encher o dono do nome de porrada, entrega-lo às autoridades. Simples. Tudo isso mudou quando aceitei perseguir um assassino elfo conhecido por “O Espectro”. A perseguição levou-me a atravessar o mar até um templo no meio de um deserto em Proenia. As coisas pareciam estar a correr bem: pouco tempo depois de ter entrado no templo encontrei uma passagem secreta que me permitiu passar directamente para o andar de baixo. A partir daí, bem, vejamos: passei duas semanas numas escadas mágicas que pareciam não acabar, quando finalmente saí encontrei uns tipos que me apontaram uma espada a uma região muito sensível, lutei contra armaduras mágicas e um tapete (por incrível que pareça o tapete foi o mais difícil), dois monstros com um olho, um monte de talheres e uma mesa (que meteu o halfling inconsciente), fui teleportado para o meio do deserto e tive de fazer o caminho todo de volta, tive de resolver o enigma da sala com um monte de portas e quase morri num corredor infinito de armadilhas. Sem esquecer o concurso de dança com os fantasmas. Ah, e ainda tive de lutar com um monte de gosma ácida! Está certo podia ter sido pior, pelo menos os gajos que me apontaram uma espada à região sensível estavam comigo. Depois de 2 anos a caçar sozinho é bom ter companhia outra vez. Apesar de ser uma companhia muito estranha. Ou por outra, uma companhia a quem acontecem coisas estranhas. E um belo exemplo disso é a cabeça de um deles ter acabado de rebentar em mil pedacinhos de papel. Por incrível que pareça, o Kyrez (actualmente sem cabeça) não parece afectado pelo acontecimento, e os outros dois, o Dravil e o Kthyr, também não parecem incomodados. Isto deve ser o mais próximo de tomar drogar sem realmente tomar drogas.
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Zoblins, zoblins e mais escadas
Uma tragicomédia por Kyrez Savaeth

Cena 1

KYREZ (descendo escadas) Não acham que já chega?

DAVRIL (saltitando alegremente, degrau a degrau) Não, claro que não!

KYREZ Já descemos oitenta lanços de escada. Eu diria que estamos numa ilusão.

KTHYR A vida é uma ilusão. Quem sou eu que não sei quem sou? Que segredos habitam nos campos vazios da minha lembrança?

NAFID Pois…

KYREZ Davriiiiil!…

DAVRIL Vá lá, só mais um lanço de escadas… Só te queixas! Já com os Zoblins foi a mesma coisa!

Cena 2

KYREZ (debaixo de dois Zoblins mortos, enquanto um terceiro se lança sobre ele) Não acham que já chega?!

ZOBLIN gaaaaaaaahhhh….

NAFID Pois…

KYREZ A sério?! Mais um goblin zombie?! Já tenho três em cima de mim! Tenho de atacar este através de dois corpos putrefactos que nem sei se estão ainda a lutar ou não!

KTHYR Estaremos nós a lutar? Ou é tudo isto sonho? Será que ELDRITCH BLAST! a morte é apenas outra vida?

DAVRIL Se o Kyrez morrer, as coisas dele são minhas. Ele deixou-mas em testamento!

KYREZ Davriiiiil!!!…

ZOBLIN gaaaaaahhh!

Subitamente, surge, espectral, a figura de Umber, velho companheiro, morto em combate

KYREZ Umber?! Que graça dos deuses te trouxe de volta?

KTHYR Terá sido esse o dom que me originou? Graça de demónios ou maldição de deuses. Três vezes ELDRITCH BLAST! abençoado seja o meu nascer, três maldições carregue o meu existir!

Umber toca em Kyrez, devolvendo-lhe vida e força de lutar.

KYREZ Ei! Onde é que estás a pôr as mãos? Vê lá o que… Ooooh!

Kyrez, tomado por uma nova energia, rodopia pelos ares, derrotando os restantes inimigos.

DAVRIL Umber! Que fazes aqui?

UMBER Sei lá! Deixem-me em paz!

Umber dirige-se a uma parede e atravessa-a, desaparecendo para sempre.

Cena 3
O mesmo cenário da primeira cena.

KYREZ Não acham que já chega?!

DAVRIL Só descemos cem lanços de escadas!

KYREZ Davriiiil!!!….

DAVRIL Pronto, pronto! Era só para ter a certeza! Agora tenho. Estamos presos numa ilusão.

KTHYR Não estivemos sempre? A ilusão de ser alguém, a ilusão de que somos mais que meros peões no invisível tabuleiro do infinito?

NAFID Pois…

Cai o pano.

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#9 - À Morte e Aos que Viveram Além Dela

Depois do “choqueinicial do encontro com Kthyr e com razões suficientes para estranhos seguirem caminho juntos, começou uma viagem no deserto que se revelaria triste para os nossos aventureiros. O caminho infindável obrigou a uma pausa onde estes tiveram tempo para refletir um pouco mais sobre a sua situação.

Na manhã seguinte, Kyrez abordou Khtyr:

- Começamos a nossa relação da forma errada e venho ter contigo para me redimir… mas percebes porque o fiz, correto? – questionou Kyrez em jeito de desculpa. – Não tinhamos outra opção e eu, pessoalmente, tenho demasiadas razões para acreditar que o azar existe e que está à espreita para me magoar onde parece haver uma inocência inofensiva de acontecimentos…

- Percebo, sim. – afirmou calmamente Kthyr. – Não havia razões para confiarem em mim e, se viram o que viram e isso foi a origem do nosso encontro, é mais que compreensível. Eu, provavelmente, agiria de uma forma parecida… excluindo a parte dos genitais. Se estivessemos em posições opostas, eu deixaria os teus genitais tranquilos. – com isto soltaram os dois uma gargalhada que, apesar da solidão do deserto não a corresponder, tinha uma cumplicidade tácita e uma honestidade.

- A um novo começo? – perguntou Kyrez enquanto erguia a mão aberta em direção a Kthyr.

- A um novo começo! – exclamou Kthyr enquanto fez o mesmo. Apertaram as mãos e aí a sua relação recomeçou da forma certa. – Agora que temos mais confiança, posso dizer-te que a única coisa que me pareceu real em relação às minhas memórias foi um sonho que tive esta noite. É estranho explicá-lo assim, mas imagina o paraíso, o local perfeito onde a luz brilha de forma diferente…

- Certo! – estava Kyrez a olhar com curiosidade com um sorriso na cara.

- Agora imagina o oposto. O ambiente mais sádico e sombrio que podes imaginar. Um cenário de guerra, onde vez o sofrimento mais arrepiante e abominável.

- Certo… – Kyrez parecia confuso e incomodado.

- Agora imagina que esses ambientes intercalavam… paraíso. Inferno. Paraíso… inferno… Não sei o que significa, mas sinto que são memórias minhas. Estranho de dizer, não é? Talvez de uma guerra que tenha vivido na minha vida e dos momentos antes dela… não sei…

Nesse momento, Kyrez retira um papel do bolso e passa-o a Kthyr – Este poema diz-te algo?

“Sua mãe a justiça

Seu pai escuridão”

 

- Estes versos dizem-me algo, mas não como opostos. Seriam mais como complementar. Sinto que a minha origem está alicerçada à sua convergência. Eu sei que isto é um paradoxo, mas penso que nasci deste paradoxo… No entanto, não como pai e mãe que isto faz sentido para mim… desculpa ser confuso naquilo que digo, mas eu próprio o estou… no entanto, isto faz com que me lembre de um palco de teatro, mas não percebo o seu contexto…

Kyrez começou a enumerar peças de teatro. Apesar de todas elas aparecerem na memória superficial de Kthyr, nenhuma delas parecia criar uma ponte com o “palco” que ele tanto falava. Decidiram seguir viagem.

 

Passado uns largos quilometros pelo deserto, deram por si junto a uma entrada com duas estátuas idênticas e entre elas uma entrada.

- Qual é o plano? – inquiriu Kyrez. Quando o faz repara que Kthyr estava paralisado a permutar o olhar de estátua para estátua de forma frenética. Preocupado passa-lhe a mão à frente da cara e pergunta “O que se passa?!”

- Lembras-te do paradoxo? – perguntou Kthyr de forma distante. – É isto… paraíso, inferno, paraíso… inferno…

- Bem… vamos entrar? – disse Kyrez incomodado e confuso mais uma vez ao resto dos aventureiros. Davril continuava a ser uma incógnita, tirando os sinais que enviava aos seus companheiros.

Umber começou a tentar elaborar um plano. Acenderam tochas e, enquanto Umber e Kyrez ainda discutiam o plano, Kthyr decidiu entrar e descer os degraus que os afundavam debaixo do deserto, qual morto a ser enterrado de livre vontade. Os outros seguiram-no. Ao fim dos corredores sombrios iluminados apenas pela tocha encontraram uma porta. Kthyr, na irracionalidade provocada na ânsia de querer saber mais, espreitou pelo buraco que a mesma tinha. Esse erro custou-lhe caro. Uma flecha atravessou-se nele e a dor fez com que o mesmo não conseguisse gritar… ou que tivesse gritado sem conseguir expulsar ar dos pulmões e, consequentemente, gritasse um imenso silêncio.

 

Passada a dor, entraram na sala seguinte, onde se encontrava uma teia gigante. Um medo racional ou irracional fez com que eles decidissem queimar a teia. Nesse momento materializaram-se dois aracnídeos que, pelo seu tamanho, explicavam a dimensão daquela construção. Esses seres decidiram atacar a equipa e a equipa decidiu responder. A batalha foi, no mínimo, estranha. Uma aranha tombou com os golpes e outra parecia ter perdido o controlo com algo que parecia ser um ataque de riso, se se pode considerar que estes bichos desprovidos de intelecto refinado podem rir. Esta última aranha desapareceu nesse momento. Em simultâneo, Kthyr teve o seu primeiro vislumbre da existência de Davril para depois o ver a cair ao tentar abrir uma porta que libertou um gases. Davril tinha adormecido profundamente. Umber desloca-se para o tentar arrastar para um local mais protegido e nesse momento, o ser que se tinha desmaterializado materializou-se outra vez. Kyrez e o resto da equipa atacaram-no freneticamente, o que fez a existência desse ser acabar na materialização da sua morte no local.

Quando se preparavam para descansar, apareceu, serpenteando, um ser que por si só era feito de serpentes. De seu nome medusa, aproximou-se de Kyrez, aquele que mais precauções tinha tomado para não ser surpreendido e antes que este conseguisse golpeá-la, viu-se transformado em pedra. As últimas palavras que ouviu vieram de Kthyr a falar-lhe na cabeça para sair dali. Ali jazia um morto com a sua tentativa de se agarrar à vida imortalizada. Kthyr só teve tempo de agarrar em Davril e sair daquele espaço que imortalizava mortos, visto que Umber também sofrera do mesmo destino que Kyrez.

Quando Davril acordou, Kthyr explicou-lhe o ocorrido. Isto fez com que o halfling tivesse a reação imediata de tirar um espelho do bolso e dirigir-se ao local onde o perigo habitava. Esse mesmo perigo, ao ver o seu reflexo nesse espelho, transformou-se naquilo que transformava os outros. Passou a ser uma estátua. Davril partiu essa estátua para ter a certeza que ela não contrariava o seu destino e, num ato estranho, Kthyr recolheu uns fragmentos da mesma e guardou-os. O desespero começa a partir deste momento. Kthyr convenceu Davril que, apesar de estarem no meio do deserto, deveriam tentar tudo para reverter a morte dos seus camaradas. Conseguiram levar a estátua de Kyrez para as portas do deserto, mas o azar e a falta de força definiu que Umber acabara com uma sorte diferente. Quando deram por si, viram que tinham o corpo desse guerreiro que desafiava o mais corajoso com a sua loucura pela batalha no chão, partido em mil fragmentos. Sofreram sem o mostrar, porque não havia tempo para emoções. Tinham um barco para apanhar. Na cidade poderia existir solução para reverter o mal de Kyrez e o barco que os levaria lá voltaria em 5 dias.

A travessia do deserto lembrou o quão pesado pode ser arranjar forças para salvar uma vida. A persistência definiu a caminhada e passado uns dias encontraravam-se no templo da cidade, onde uma mulher do clero lhes disse que poderia salvar Kyrez da maldição em troca de uma quantia avulsa de dinheiro. Não havendo muito por onde discutir, Kthyr e Davril fizeram de tudo para juntar migalhas, centenas e milhares de migalhas que definiriam a continuidade do nosso aventureiro petrificado. Enquanto Davril tentou resolver o problema com promessas, negócios e eventos, Kthyr tentou resolvê-los com truques, ilusões e enganos que, sendo errados na sua base, serviriam um bem certo e só atraiam quem deixava o orgulho ganhar à racionalidade e apostava. Ao fim daquelas duas semanas e durante uma vigília que Davril teve a ideia de organizar para angariar fundos para salvar Kyrez, conseguiram “acordar” este companheiro de viagem.

 

Regressaram àquele labirinto da morte, contra o instinto de Kthyr. Este pressentia que algo iria correr mal outra vez, mas não iria deixar os seus camaradas ao abandono, ficando sozinho com o seu medo. Havia respostas a procurar e eles prometeram ajudá-lo nas mesmas. Teria que ir com eles. A escuridão intensificava-se à medida que iam descendo e, ao entrar numa sala, Kthyr acionou uma armadilha que fez com que uma parede o projetasse para um fosso. Kyrez tentou salvá-lo e para isso, fez-se voar, abriu uma porta e apoiou-se no rebordo da porta, sem ver que, nas suas costas, se encontravam duas lâmias. “Larga a corda!” – comandaram elas com um sorriso na cara. Começou mais uma batalha para os nossos heróis.

Enquanto Kyrez aguentava uma delas, a outra projetou-se para o fosso disfarçada de humana indefesa. Kthyr fez com que se expandisse a sua escuridão naquele espaço abaixo do chão e quis controlar a situação. Provavelmente teria tido mais sucesso se não estivesse preocupado em perceber se aquele ser era inocente ou se era uma armadilha. Não querer ter o peso de atacar alguém que não merecia demonstrou ser a sua maior fragilidade. Kyrez tinha-o avisado o que é que aquele ser realmente era, mas o nosso herói só se acreditou quando ela se revelou e o meteu às portas da morte. Khyr só teve tempo de pedir ajuda num grito arrependido por ser tão ingénuo e tombou no chão.

Ao ver o estado do seu companheiro e depois de derrotar a outra lâmia, Kyrez lançou uma corta em redor do monstro enganador e levitou-o. Davril enfrentou o seu medo e foi agarrar Kthyr à vida no exacto momento em que o seu coração se preparava para dar o último batimento. A lâmia encontrava-se agora em desvantagem. Tentou soltar-se, mas Kyrez foi mais astuto e largou-a de uma altura onde ela não se conseguiria recompor de imediato e investiu para cima dela.

Ao perceber o que se tinha passado, Kthyr deixou-se controlar pelo ódio. Quando a lâmia caiu, este fez questão de não só lhe dar o golpe final, como desfazê-la em pó. Não parou de a usar como alvo até sentir que a sua sede de sangue estava saciada. Era desnecessário, mas, de alguma forma, fazia sentido. Um bocado a medo, Kyrez mete-lhe a mão no ombro. Este vira o resto e a perceber a cara do seu companheiro, esboça um sorriso pacífico sem nenhum tipo de hostilidade e diz em gesto de brinde sem copo “À morte!”. Kyrez responde-lhe, completando uma frase que parecia já estar completa: “E aos que viveram além dela!”.

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#8 - Raios e trovões

Umber devia a sua estadia na prisão de Beybrook ao seu mau julgamento, a sua brevidade a Kyrez, o recuperar do seu equipamento a Davril. Todos menos Umber, conformado com a sua situação, tentaram à sua maneira resolver o problema por ele criado. Correndo tudo pelo melhor, partiram eles, agora como homens livres, rumo ao paradeiro de Nahal, o feiticeiro.

Naquela já conhecida casca de noz zarparam rio acima, acompanhados pelo mesmo trovejar da noite anterior. Este, na ausência de Nafid, foi o seu quarto companheiro, até que, perto de um lago toda a força dessa luz se juntou, caiu e cessou.

Nesse ponto de embate jazia um homem, confuso, nascido ali no meio daquela cratera. Confusão era de facto o sentimento instaurado, só Davril assistia divertido a toda aquela situação, são tolos aqueles humanos, pensou.

Após incertezas e as devidas cautelas, Kyrez, disse um. Kthyr, disse o outro. Ninguém merece ser deixado sozinho à mercê da sua cabeça despida. Assim, juntos, somaram mais um companheiro e seguiram rumo a Nahal. Durante quanto tempo duraria tal companhia? Só o tempo e as memórias o poderão contar.

 

 

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#7 - Uma Chama

A nossa estadia em Beybrock tem-se tornado mais suportável, acabei por aprender os costumes da cidade e reconhecer as boas colheitas da zona.

Na nossa curiosidade de saber mais sobre Ips, acabámos por ir a uma torre de feiticeiros nesta cidade, uma torre alta sem marcas de construção, ao entrar juntamente com Kyrez, fomos recebidos por um miúdo, um pouco mais alto que eu, que após uma breve conversa nos encaminhou para falar com um dos mestres. Este pouco ou nada disse de Ips, mas perguntou se estaríamos interessados em subir o rio até Red Waste para encontrar a casa/laboratório de um feiticeiro de ideias revolucionárias chamado Nahal.

Estremeci só de ouvir o nome daquele deserto tão próximo das minhas origens, a minha primeira reacção foi tentar arranjar tempo, e rápidamente me propus a ajudar e a estudar ideias arcanas. Quanto mais tempo conseguir melhor.

Não é uma má altura para começar em treinos arcanos, e por mais difícil que seja, qualquer alternativa a ir para norte me parece razoável. Passei o dia a consultar livros velhos e antigos, e após isso pediram-me para criar uma chama na mão, algo que certamente faria com facilidade, não fosse ter a cabeça cheia de pensamentos, num pesar constante de prós e contras sobre ir ou não para norte. Afinal deve haver tesouros, e objectos de valor que possa trocar, eu sei que é perto, mas ainda tenho meio deserto de distancia. Se passar despercebido talvez ninguém note.

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#6 - Diário de Umber

-Tyr compele-me.

-Os artistas foram á torre dos magos ou o caralho saber mais sobre a estátua da ilha. Ignorantes trabalham mais sobre o que está lá do que o ir para lá.

-Artista-chave foi saber mais sobre Graham e o estado da cidade. Plano a formar-se. Pouca chance de sucesso, por agora.

-Artista mais pequeno disfarçou-se de rapaz de entregas e contactou a mulher do chefe da rebelião. Ela deu uma pista sobre o paradeiro de Reliman.

-Ainda não se ouve a canção.

-Rato de rua desrespeitou-me. Sobreviveu. Sucesso. Marcá-lo.

-Artistas discutem fantasias sexuais com um pescador. Benignas. Conseguem alugar um barco. Remei o caminho, não queria mostrar iniciativa no discurso deles.

-Encontramos o esconderijo perto de Eli e Eri. Parecem cidades interessantes, possível sítio de recrutamento se falhar.

-Artistas falham a encontrar armadilhas. Reflexos salvam-me as orelhas. -1 para os artistas.

-Elfo é um idiota chapado, não sabe o que está a fazer. Muito perigoso.

-Voltamos para 7 Suns para dormir.

-Tyr compele-me.

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#5 - Filhos da Lua

Medalhas?! Depois de tudo o que nos fizeram?! Ouro não paga a vida de Iged, nem a dos pobres soldados que decoram agora o fundo do mar junto a Beybrook. O pequeno banquete, que partilhámos com os restantes sobreviventes, foi mais honroso que qualquer medalha. Recusar, portanto, qualquer honra que este governo nos queira prestar é o mais correcto.

Assim, decidi concentrar os meus esforços numa tarefa mais a meu gosto: vasculhar os Arquivos da cidade. Não só descobri que Ips passou, há muitos anos, por aqui (e que era alguém com quem teria, porventura, gostado de partilhar ideias e um copo de vinho quente com especiarias), como também que o meu pai sobreviveu à minha fuga e escreveu uma obra para mim: "Os Filhos da Lua". As lágrimas que quero derramar são mais que aquelas que alguém pode suportar. Há em mim um misto de alegria e saudade, que não saberia descrever em mil versos.

É esse sentimento que se apodera de mim, que me vibra na voz enquanto toco num concerto privado para um dos nobres da cidade. É esse sentimento que me faz tremer os dedos ao receber o magnífico alaúde com que ele me presenteia. É essa sensação, a de um tempo perdido, tão perto e tão longe, que me faz sentar frente ao palácio e é esse sentimento que me enche os pulmões quando as palavras ecoam na noite:

" Sem os ouvir

Sem os louvar

O chicote a zurzir

Sem os julgar…"

 

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#4 - Paz e Guerra
Calma e caos

Taman, o último Monge:

Tantos irmãos caídos sem propósito, quem perturbaria tão duradoura paz? Tenho de encontrar Iged, ele saberá o que fazer. Os mais velhos sempre souberam o que fazer.

Rumo a Phaadgate, rumo a Iged. Como pode um povo viver tão calado, como pode um Rei ser tão cruel? Para onde vão aquelas pessoas? Tenho saudades do mosteiro, tudo era mais simples. 

O povo fala, Iged passou aqui. Rumo a Beybrook, rumo a Iged, ele saberá o que fazer. Os mais velhos sempre souberam o que fazer.

Que cidade partida, como pode haver tanta disparidade? Como não reconhecem que somos todos irmãos? Preciso de encontrar Iged. Ele tem de saber o que fazer! Oremos a Tyr, por ele haverá justiça, por ele os nossos irmãos serão vingados! Iged será vingadoTudo é equilíbrio, bem por mal, mal por bem. Os assassinos julgados! As ofensas vingadas! Pelos Deuses, serei a ferramenta da justiça, entrego-me à sua sabedoria, Iged guiar-me-á, ele saberá o que fazer!

Nafid:

Tempus chama os seus filhos, a sua voz ecoa pelas ruas de Beybrook a comando das cornetas. As patrulhas marcham, os cobardes fogem, as velas são içadas. Todos os filhos daquele Sol Negro arderão nas chamas da guerra.

Zarpamos. O uníssono dos remadores fustiga as águas do Knoq Canal, rumo ao mar, rumo às gargantas daqueles cães selvagens. O meu machado tem sede e anseia que lhe dêem de beber.

Dez contra cem, os coitados nunca tiveram hipóteses, nem dez contra mil seria justo. Tempos olha e sorri. Não há justiça na guerra, apenas metal e sangue. Como tem sede o meu machado…

Sangram os valorosos, glória à sua coragem, e aqueles cobardes traidores, que fujam para sempre para as profundezas do mar, que sejam engolidos e mastigados pelas ondas, que nunca mais voltem a pisar a terra, que as suas caras sejam esquecidas pelas suas viúvas.

Regressam os mais fortes, espera-lhes cerveja e glória. Regozijem-se os vencedores pois viverão para ver mais uma batalha. A sede do meu machado foi saciada, é altura de saciar a minha.

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#3 - Dravil vs Istus
O Livre contra o Destino

Outra vez quase a morrer afogado?! Tenho de repensar seriamente as minhas capacidades físicas…  Abençoada seja a minha sorte que acabei por voltar à costa, estafado, mas vivo. Pelos meus cálculos e posição da lua, tinham-se passado algumas horas, por isso corri o mais que pude para alertar os que aqui me fazem companhia dos perigos da aldeia. Foram mais trafulhas que eu. Certamente, pensando que eu estaria morto, puseram o bosque vizinho da aldeia em chamas e, com a distração do incêndio, conseguiram roubar o barco.Se não fosse eu ter feito um “flare” que eles conseguissem identificar, teria ficado preso naquela ilha.
 
Já em mar alto, pus-me a pensar que seria daquelas mulheres e crianças que deixámos para trás, mas por pouco tempo. Kyrez lembrou-se que tínhamos de camuflar as velas do barco para não sermos confundidos com piratas mal chegássemos à costa e, a ideia  de a tripulação cagar para dentro de um barril para depois espalhar na vela, foi tão boa ou tão ridícula que nem tive coragem de dizer que facilmente conseguiria resolver a situação com uma pequena ilusão. Ao fim e ao cabo, nunca recuso uma boa gargalhada, e o que eu me ri naquele dia. Por pouco tempo, mas ri…
 
Istus tem maneiras engraçadas de te pôr à prova: vivi numa prisão, estive preso numa ilha,  trancado numa solitária. Nada que não esteja habituado, sempre lutei e criei o meu próprio destino.
Assim que chegámos à costa, fomos encarcerados por suspeita de pirataria, apesar do plano engenhoso da vela. Na solitária, entretive-me a fazer pequenas ilusões, para passar as horas. A mais recorrente era a cara do guarda que me atacou quando estava na cela junto dos meus companheiros, quero ver se não me esqueço de quem realmente merece que o destino lhe faça uma visita.
 
Acabámos por ser todos levados para o que eu chamaria de labirinto. Segundo percebi, quando há dúvidas sobre a culpa de algum crime, o grandioso, glorioso e todo o poderoso Rei Zenit manda a escumalha dar uma volta numa sala gigante com paredes dançantes. Ainda vi que havia umas armadilhas e demorámos a perceber que, as chaves que íamos encontrando para abrir umas portas verdes, voltavam a aparecer magicamente nos cofres de onde as tínhamos tirado. Depois de perceber isso, até foi fácil, o único desafio, realmente, foi combater contra aquilo a que chamaria das nossas sombras. Havia uma sombra para cada um de nós, a minha sinceramente era a mais bela. Com muita pena minha, esta não tinha o mesmo espírito jovial, pelo que recusou o meu high five e tive de atacá-la. Se posso dizer algo, é que aquelas coisas não estavam para brincadeiras, porque  naquele combate breve, mas intenso, mataram o Quasi-Mudo (Iged) e é a última coisa que me lembro daquela sala.
 
Acordei, não sei bem quantas horas depois, numa taverna catita, num local com gente bem duvidosa, o género de que gosto. Tinha uma carta na cabeceira da cama, a informar com pompa e circunstância a “minha Excelência” de que teria direito a uma noite e refeição na estalagem onde me encontrava presentemente. Fiquei na dúvida se o pessoal destes lados é só estúpido ou … isso. 
 
Os meus companheiros concordaram em ir dar uma volta pela cidade e perguntar à Guarda onde se encontrava o corpo do recentemente falecido. Não demorámos muito a saber que estava no templo: lá jazia o senhor, não notei muita diferença de actividade em relação a ele vivo, se não soubesse, diria que estava a meditar ou lá o que faz ele nos seus silêncios… fazia.
Soubemos que havia um membro da ordem dele na cidade e, como pareceu o mais correcto à maioria informar o templo ou alguém de lá o que se tinha passado, corremos pelas estalagens da cidade com o intuito de encontrar tal personagem. Ao encontrarmos o segundo careca eu apressei-me a dizer que o amigo dele tinha falecido de forma violenta. Perguntei-lhe, depois,  se ele precisava de ajuda nalguma coisa, qual é o meu espanto quando o otário, pertencente ao Círculo Religioso Obsoleto dos Majestosos Otários, me atacou. Bem, o amigo dele também o era um bocado, mas notei logo que este era mais devoto. Não fosse o pessoal a interceder por ele e a segurá-lo, por saberem quão perigoso eu sou, este tinha ido fazer companhia mais cedo ao amigo.

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#2 - À deriva
Água, Terra, Fogo e Mar

Bah, num momento a tua vida é abençoada por cerveja e anões com mais ovelhas do que juízo, só para que no próximo ela te tire tudo e acordas com um velho humano a fingir que é sereia na tua cara enquanto vomitas metade da água de todo o Oceano numa praia deserta num dos cantos perdidos do mundo. Ah, se não fosses tão cabra, o que seria de nós mortais. Provavelmente muito mais felizes. Enfim.

Nas estradas conheces muita gente “especial”, mas porra, se este grupo de náufragos não era especialíssimo.

Vê lá, o velho tinha um completo oposto, porque ao passo que um era careca, o outro tinha na cabeça tanta toalha junta que conseguias abrir um bordel na testa, e enquanto um andava constantemente a louvar a deusa Titty (abençoados sejam os seus seios) e a tocar de forma muito constrangedora em toda a gente, o outro nunca dirigiu a palavra a nenhum de nós.

Pelo menos o velho sabia alguma coisa sobre montar abrigos.

Conseguimos dividir alguns trabalhos. Eu e o velho ficamos de levantar alguma espécie de tenda e fogueira, e os outros 3 lá trouxeram comida e água.

Ainda me ri quando ouvi um dos humanos gritar que um caranguejo mordeu-lhe os pés. Foi a melhor parte do dia.

Depois de uma boa soneca e de encher a pança, lá entramos mais profundamente na floresta. Surpresa nossa de encontrar uma estátua no meio de uma clareira. Era um humano (Claro. Orgulho nunca lhes falta) a olhar não sei pra onde, e com a inscrição Ips numa. Embora esquisito, eram sinais de civilização. Pelo menos alguém esteve naquele buraco do mundo antes de nós.

Foi ao explorar o lado oposto à estátua que ouvimos uns barulhos a aproximarem-se. É claro que toda a gente, menos eu claro, esconderam-se no meio dos arbustos que nem coelhos.

Pois é que vem um urso gigante a correr desalmadamente na minha direção, e num piscar de olhos abocanhou-me o ombro e deu-me a maior chapada que já levei até hoje. Felizmente, e embora medrosos com tamanho urso, o resto do grupo ao ver o espetáculo que é, como podes imaginar, de ver a mim a lutar, viraram-no rapidamente em carne inanimada.

É claro que outro ainda maior apareceu pela floresta e quase que levou o halfling embora com ela. Mas pronto, nada que uma estroncada no bucho não resolve.

Passamos um mal bocado, mas nada que uma noite de sono não resolvesse.

Foi no próximo dia que descobrimos a nossa obsessão, num buraco recôndito da montanha.

De relance, não parecia nada de muito anormal, só uma gruta natural, mas logo encontramos a porta. Sim, essa porta.

Mas, oh diabo, se isso não foi o mistério número dois do dia, pois logo depois das rochas lá perto havia uma vila! Estamos salvos, pensamos! Mas é claro que a vida encontra uma maneira de te tirar o pouco que tens. Por sorte, um barco estava a ancorar nesse momento e claramente estampado na vela estava la o símbolo da pichota deles. Piratas. É claro.

Era a altura de começar a fazer planos em como sair desta ilha, e a melhor maneira seria lutar fogo contra fogo (ehe) e piratear os piratas.

No escuro da noite, o nosso halfling (quem diria que o halfling era bom em roubar coisas, ah?) la foi tentar encontrar uma solução para os nossos problemas, mas é claro que isso iria ser demasiado fácil, e o halfling desaparece na calma da noite. É claro que ninguém segue o plano, e o artista consegue ser preso e torturado. Fantástico, ah?

Foi ao ver os humanos a fazer exatamente a fazer a mesma coisa e a esperar um resultado diferente que eu decidi que a ilha deserta afetou-lhes a mioleira e que se era para sair daqui, não era a seguir estes humanos.

Bem,a cerveja está a acabar e tenho uma porta para abrir, por isso digamos que depois de fazer uma grande fogueira, um salvamento desesperado e um mergulho em água bem fresquinha, fomos parar a mar aberto com a adição de dois camaradas.

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