Mare Nostrum

#7 - BRUNO
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#6 - Diário de Umber

-Tyr compele-me.

-Os artistas foram á torre dos magos ou o caralho saber mais sobre a estátua da ilha. Ignorantes trabalham mais sobre o que está lá do que o ir para lá.

-Artista-chave foi saber mais sobre Graham e o estado da cidade. Plano a formar-se. Pouca chance de sucesso, por agora.

-Artista mais pequeno disfarçou-se de rapaz de entregas e contactou a mulher do chefe da rebelião. Ela deu uma pista sobre o paradeiro de Reliman.

-Ainda não se ouve a canção.

-Rato de rua desrespeitou-me. Sobreviveu. Sucesso. Marcá-lo.

-Artistas discutem fantasias sexuais com um pescador. Benignas. Conseguem alugar um barco. Remei o caminho, não queria mostrar iniciativa no discurso deles.

-Encontramos o esconderijo perto de Eli e Eri. Parecem cidades interessantes, possível sítio de recrutamento se falhar.

-Artistas falham a encontrar armadilhas. Reflexos salvam-me as orelhas. -1 para os artistas.

-Elfo é um idiota chapado, não sabe o que está a fazer. Muito perigoso.

-Voltamos para 7 Suns para dormir.

-Tyr compele-me.

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#5 - Filhos da Lua

Medalhas?! Depois de tudo o que nos fizeram?! Ouro não paga a vida de Iged, nem a dos pobres soldados que decoram agora o fundo do mar junto a Beybrook. O pequeno banquete, que partilhámos com os restantes sobreviventes, foi mais honroso que qualquer medalha. Recusar, portanto, qualquer honra que este governo nos queira prestar é o mais correcto.

Assim, decidi concentrar os meus esforços numa tarefa mais a meu gosto: vasculhar os Arquivos da cidade. Não só descobri que Ips passou, há muitos anos, por aqui (e que era alguém com quem teria, porventura, gostado de partilhar ideias e um copo de vinho quente com especiarias), como também que o meu pai sobreviveu à minha fuga e escreveu uma obra para mim: "Os Filhos da Lua". As lágrimas que quero derramar são mais que aquelas que alguém pode suportar. Há em mim um misto de alegria e saudade, que não saberia descrever em mil versos.

É esse sentimento que se apodera de mim, que me vibra na voz enquanto toco num concerto privado para um dos nobres da cidade. É esse sentimento que me faz tremer os dedos ao receber o magnífico alaúde com que ele me presenteia. É essa sensação, a de um tempo perdido, tão perto e tão longe, que me faz sentar frente ao palácio e é esse sentimento que me enche os pulmões quando as palavras ecoam na noite:

" Sem os ouvir

Sem os louvar

O chicote a zurzir

Sem os julgar…"

 

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#4 - Paz e Guerra
Calma e caos

Taman, o último Monge:

Tantos irmãos caídos sem propósito, quem perturbaria tão duradoura paz? Tenho de encontrar Iged, ele saberá o que fazer. Os mais velhos sempre souberam o que fazer.

Rumo a Phaadgate, rumo a Iged. Como pode um povo viver tão calado, como pode um Rei ser tão cruel? Para onde vão aquelas pessoas? Tenho saudades do mosteiro, tudo era mais simples. 

O povo fala, Iged passou aqui. Rumo a Beybrook, rumo a Iged, ele saberá o que fazer. Os mais velhos sempre souberam o que fazer.

Que cidade partida, como pode haver tanta disparidade? Como não reconhecem que somos todos irmãos? Preciso de encontrar Iged. Ele tem de saber o que fazer! Oremos a Tyr, por ele haverá justiça, por ele os nossos irmãos serão vingados! Iged será vingadoTudo é equilíbrio, bem por mal, mal por bem. Os assassinos julgados! As ofensas vingadas! Pelos Deuses, serei a ferramenta da justiça, entrego-me à sua sabedoria, Iged guiar-me-á, ele saberá o que fazer!

Nafid:

Tempus chama os seus filhos, a sua voz ecoa pelas ruas de Beybrook a comando das cornetas. As patrulhas marcham, os cobardes fogem, as velas são içadas. Todos os filhos daquele Sol Negro arderão nas chamas da guerra.

Zarpamos. O uníssono dos remadores fustiga as águas do Knoq Canal, rumo ao mar, rumo às gargantas daqueles cães selvagens. O meu machado tem sede e anseia que lhe dêem de beber.

Dez contra cem, os coitados nunca tiveram hipóteses, nem dez contra mil seria justo. Tempos olha e sorri. Não há justiça na guerra, apenas metal e sangue. Como tem sede o meu machado…

Sangram os valorosos, glória à sua coragem, e aqueles cobardes traidores, que fujam para sempre para as profundezas do mar, que sejam engolidos e mastigados pelas ondas, que nunca mais voltem a pisar a terra, que as suas caras sejam esquecidas pelas suas viúvas.

Regressam os mais fortes, espera-lhes cerveja e glória. Regozijem-se os vencedores pois viverão para ver mais uma batalha. A sede do meu machado foi saciada, é altura de saciar a minha.

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#3 - Dravil vs Istus
O Livre contra o Destino

Outra vez quase a morrer afogado?! Tenho de repensar seriamente as minhas capacidades físicas…  Abençoada seja a minha sorte que acabei por voltar à costa, estafado, mas vivo. Pelos meus cálculos e posição da lua, tinham-se passado algumas horas, por isso corri o mais que pude para alertar os que aqui me fazem companhia dos perigos da aldeia. Foram mais trafulhas que eu. Certamente, pensando que eu estaria morto, puseram o bosque vizinho da aldeia em chamas e, com a distração do incêndio, conseguiram roubar o barco.Se não fosse eu ter feito um “flare” que eles conseguissem identificar, teria ficado preso naquela ilha.
 
Já em mar alto, pus-me a pensar que seria daquelas mulheres e crianças que deixámos para trás, mas por pouco tempo. Kyrez lembrou-se que tínhamos de camuflar as velas do barco para não sermos confundidos com piratas mal chegássemos à costa e, a ideia  de a tripulação cagar para dentro de um barril para depois espalhar na vela, foi tão boa ou tão ridícula que nem tive coragem de dizer que facilmente conseguiria resolver a situação com uma pequena ilusão. Ao fim e ao cabo, nunca recuso uma boa gargalhada, e o que eu me ri naquele dia. Por pouco tempo, mas ri…
 
Istus tem maneiras engraçadas de te pôr à prova: vivi numa prisão, estive preso numa ilha,  trancado numa solitária. Nada que não esteja habituado, sempre lutei e criei o meu próprio destino.
Assim que chegámos à costa, fomos encarcerados por suspeita de pirataria, apesar do plano engenhoso da vela. Na solitária, entretive-me a fazer pequenas ilusões, para passar as horas. A mais recorrente era a cara do guarda que me atacou quando estava na cela junto dos meus companheiros, quero ver se não me esqueço de quem realmente merece que o destino lhe faça uma visita.
 
Acabámos por ser todos levados para o que eu chamaria de labirinto. Segundo percebi, quando há dúvidas sobre a culpa de algum crime, o grandioso, glorioso e todo o poderoso Rei Zenit manda a escumalha dar uma volta numa sala gigante com paredes dançantes. Ainda vi que havia umas armadilhas e demorámos a perceber que, as chaves que íamos encontrando para abrir umas portas verdes, voltavam a aparecer magicamente nos cofres de onde as tínhamos tirado. Depois de perceber isso, até foi fácil, o único desafio, realmente, foi combater contra aquilo a que chamaria das nossas sombras. Havia uma sombra para cada um de nós, a minha sinceramente era a mais bela. Com muita pena minha, esta não tinha o mesmo espírito jovial, pelo que recusou o meu high five e tive de atacá-la. Se posso dizer algo, é que aquelas coisas não estavam para brincadeiras, porque  naquele combate breve, mas intenso, mataram o Quasi-Mudo (Iged) e é a última coisa que me lembro daquela sala.
 
Acordei, não sei bem quantas horas depois, numa taverna catita, num local com gente bem duvidosa, o género de que gosto. Tinha uma carta na cabeceira da cama, a informar com pompa e circunstância a “minha Excelência” de que teria direito a uma noite e refeição na estalagem onde me encontrava presentemente. Fiquei na dúvida se o pessoal destes lados é só estúpido ou … isso. 
 
Os meus companheiros concordaram em ir dar uma volta pela cidade e perguntar à Guarda onde se encontrava o corpo do recentemente falecido. Não demorámos muito a saber que estava no templo: lá jazia o senhor, não notei muita diferença de actividade em relação a ele vivo, se não soubesse, diria que estava a meditar ou lá o que faz ele nos seus silêncios… fazia.
Soubemos que havia um membro da ordem dele na cidade e, como pareceu o mais correcto à maioria informar o templo ou alguém de lá o que se tinha passado, corremos pelas estalagens da cidade com o intuito de encontrar tal personagem. Ao encontrarmos o segundo careca eu apressei-me a dizer que o amigo dele tinha falecido de forma violenta. Perguntei-lhe, depois,  se ele precisava de ajuda nalguma coisa, qual é o meu espanto quando o otário, pertencente ao Círculo Religioso Obsoleto dos Majestosos Otários, me atacou. Bem, o amigo dele também o era um bocado, mas notei logo que este era mais devoto. Não fosse o pessoal a interceder por ele e a segurá-lo, por saberem quão perigoso eu sou, este tinha ido fazer companhia mais cedo ao amigo.

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#2 - À deriva
Água, Terra, Fogo e Mar

Bah, num momento a tua vida é abençoada por cerveja e anões com mais ovelhas do que juízo, só para que no próximo ela te tire tudo e acordas com um velho humano a fingir que é sereia na tua cara enquanto vomitas metade da água de todo o Oceano numa praia deserta num dos cantos perdidos do mundo. Ah, se não fosses tão cabra, o que seria de nós mortais. Provavelmente muito mais felizes. Enfim.

Nas estradas conheces muita gente “especial”, mas porra, se este grupo de náufragos não era especialíssimo.

Vê lá, o velho tinha um completo oposto, porque ao passo que um era careca, o outro tinha na cabeça tanta toalha junta que conseguias abrir um bordel na testa, e enquanto um andava constantemente a louvar a deusa Titty (abençoados sejam os seus seios) e a tocar de forma muito constrangedora em toda a gente, o outro nunca dirigiu a palavra a nenhum de nós.

Pelo menos o velho sabia alguma coisa sobre montar abrigos.

Conseguimos dividir alguns trabalhos. Eu e o velho ficamos de levantar alguma espécie de tenda e fogueira, e os outros 3 lá trouxeram comida e água.

Ainda me ri quando ouvi um dos humanos gritar que um caranguejo mordeu-lhe os pés. Foi a melhor parte do dia.

Depois de uma boa soneca e de encher a pança, lá entramos mais profundamente na floresta. Surpresa nossa de encontrar uma estátua no meio de uma clareira. Era um humano (Claro. Orgulho nunca lhes falta) a olhar não sei pra onde, e com a inscrição Ips numa. Embora esquisito, eram sinais de civilização. Pelo menos alguém esteve naquele buraco do mundo antes de nós.

Foi ao explorar o lado oposto à estátua que ouvimos uns barulhos a aproximarem-se. É claro que toda a gente, menos eu claro, esconderam-se no meio dos arbustos que nem coelhos.

Pois é que vem um urso gigante a correr desalmadamente na minha direção, e num piscar de olhos abocanhou-me o ombro e deu-me a maior chapada que já levei até hoje. Felizmente, e embora medrosos com tamanho urso, o resto do grupo ao ver o espetáculo que é, como podes imaginar, de ver a mim a lutar, viraram-no rapidamente em carne inanimada.

É claro que outro ainda maior apareceu pela floresta e quase que levou o halfling embora com ela. Mas pronto, nada que uma estroncada no bucho não resolve.

Passamos um mal bocado, mas nada que uma noite de sono não resolvesse.

Foi no próximo dia que descobrimos a nossa obsessão, num buraco recôndito da montanha.

De relance, não parecia nada de muito anormal, só uma gruta natural, mas logo encontramos a porta. Sim, essa porta.

Mas, oh diabo, se isso não foi o mistério número dois do dia, pois logo depois das rochas lá perto havia uma vila! Estamos salvos, pensamos! Mas é claro que a vida encontra uma maneira de te tirar o pouco que tens. Por sorte, um barco estava a ancorar nesse momento e claramente estampado na vela estava la o símbolo da pichota deles. Piratas. É claro.

Era a altura de começar a fazer planos em como sair desta ilha, e a melhor maneira seria lutar fogo contra fogo (ehe) e piratear os piratas.

No escuro da noite, o nosso halfling (quem diria que o halfling era bom em roubar coisas, ah?) la foi tentar encontrar uma solução para os nossos problemas, mas é claro que isso iria ser demasiado fácil, e o halfling desaparece na calma da noite. É claro que ninguém segue o plano, e o artista consegue ser preso e torturado. Fantástico, ah?

Foi ao ver os humanos a fazer exatamente a fazer a mesma coisa e a esperar um resultado diferente que eu decidi que a ilha deserta afetou-lhes a mioleira e que se era para sair daqui, não era a seguir estes humanos.

Bem,a cerveja está a acabar e tenho uma porta para abrir, por isso digamos que depois de fazer uma grande fogueira, um salvamento desesperado e um mergulho em água bem fresquinha, fomos parar a mar aberto com a adição de dois camaradas.

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#1 - A Fúria de Talos
A queda no paraíso

Negro o firmamento, as nuvens chocavam e os trovões ribombavam. A pequena embarcação tremia por entre as colossais ondas. A quietude da noite foi incomodada pela azáfama do pânico correndo para arriar as velas. A cadência celeste marcava o ritmo dos marinheiros, remavam pelos presentes, pelas suas famílias, pelo seu futuro.

Talos, na sua maldade, decidiu o destino de tal embarcação. Rasgada por um relâmpago, partida ao meio, selando o destino dos seus viajantes. Será algum merecedor de tal ira? Terá algum condenado todas aquelas almas?

Agora, na serenidade daquela lua cheia, cinco sobreviventes, perdidos à mercê da deriva, procuram esperança no horizonte. Tão longe, tão cansados, um por um, deixam-se render ao conforto das ondas, ao seu destino. Iged inexaurível, entre braçadas, recusa-se a desistir, é ele senhor do seu próprio destino.

Terra. Terra por fim. Cheguei ao paraíso…

O calor do sol matinal desperta o único náufrago, olha em redor e encontra cinco inertes vultos. Apressa-se. Estariam eles vivos? Como poderiam? Todos menos um, expiram o oceano. Todos menos um voltam a si. Felizes que estão, nunca viver soube tão bem.

Naquela praia, banhados pelo Mar de Gyll, começam um novo capítulo. Totais estranhos juntos sob a mesma adversidade, juntos perecerão, juntos perseverarão.

Chegaram. Chegaram ao paraíso…

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#0 - Prólogo
A Viagem

Iça essa âncora! Alija essa adriça! O vento está de feição, vamos zarpar marujos!  berrava Gilsi por entre a sua calejada barba sombria.

Entre a azáfama matinal, as cordas puxadas, os barris carregados, os passageiros instalados, tudo estava pronto para a viagem, a centésima travessia do Unsinkable II, Mar de Gyll, seu caminho, Beybrook seu destino.

No caos do mar selvagem, tudo faz sentido. Pelas suas próprias regras, as ondas definem uma sinfonia para quem as desafia. Entre as suas imensidões azuis, existe apenas uma hierarquia, uma lasca de madeira rasga aquela carne deixando um corte efémero por onde passa. Será que os olhos do futuro conseguirão perceber onde ficou essa cicatriz?

Naquele horizonte inalcançável todos os sonhos se concretizam: o mercador enriquece, o nobre enaltece-se, a família prospera, o bardo trova odes intemporais. 

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