Mare Nostrum

A Saga dos Puffs

Estava eu a apertar os atacadores – trabalho importante para se fazer no meio do nada se queremos andar com a vida prá frente – e chegaram até mim uns “aventureiros" que não encontravam uma porta que estava mesmo ao lado deles. Gente estranha esta que encontra um gnomo e não vê UMA DAQUELAAAAS PORTAS (escrevi com letra maiúscula para perceberem que era mesmo grandinha)!!! Eu indiquei o óbvio, mas vi que estes pobres coitados não iam sobreviver sem mim. Decidi ser o apoio deles. Sou mesmo boa pessoa! Ah! O Vismund também me perguntou se tinha visto um elfo assassino. Não vi.

Entretanto vimos um outro pobre coitado a ser perseguido por uma multidão. Conta-se que ele também triturou as coitadas das orelhas deles. O Davril fez puff e o ser desapareceu. Não me apetece prolongar esta história, porque é aborrecida e pessoas escorraçadas das suas cidades não me trazem boas memórias.

A seguir convidaram-nos para ir beber uns copos. A mulher que servia era charmosa… se estivessemos a compará-la com um orc. O Vismund ajudou-a a melhorar aquela água de pântano a que ela chamava de bebida. PAPAS DE AVEIA GRATUITAS PARA TODA A GENTE!!! Não gosto. O Vismund também perguntou se por acaso não viram um elfo assassino…

Fomos á arena ver barbaridades que disfarçavam desesperados de sádicos. Houve alguém que ficooouuuu seeeem o dinheeeeiiirooo que tinhaaaaa noooo bolsooo. Azar, Firs.

Fomos também “falar com um surdo"… Ahahahah! Que engraçado dizer isto assim! Ele contou-nos informações sobre a cidade, sobre as gentes desta e sobre entregas de cartas e magia.

Agora a sério… o Vismund tem uma obsessão qualquer por um elfo. Acreditem que aquilo não é saudável! Sempre a perguntar às pessoas se viram um elfo assassino!

Paguei uma entrega ao mágico que não vê portas, porque ele queria ir entregar algo à torre da minha cidade e eu não quero voltar lá tão cedo. Cheira-me que mesmo assim vou ter que ir lá. Aquela gente trata-me como se eu fosse um elfo assassino…

Entretanto… o Firs, aquele mágico que não vê uma porta à frente, decidiu que era boa ideia ir para a arena lutar contra um símio infernal. Depois do fogo, mais fogo, pancada e puff puff (caso não tenham reparado, puff é o termo mágico para desaparecer e aparecer), e num ataque que provavelmente lhe salvou a vida, Firs fez o bicho fazer puff de vez.

Agora tenho que deixar de falar convosco, porque conversar no meio de uma arena silenciada por um desaparecimento não é algo discreto. Até breveeeeeee!

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Respira fundo...

Respira fundo, concentra-te, permanece em paz contigo

Finalmente chegámos ao fim desta masmorra, mas não sem perdermos mais dois elementos do nosso improvável grupo: o amigo do Dravil (que, certo, apareceu vindo de uma carta mágica e cujo o nome não me lembro, mas ainda assim) e o Vey. E nem sinal do Espectro. Não estou nem sequer mais perto de perceber o interesse de um assassino como ele neste sítio. Foi por isso que quando o Dravil sugeriu explorar as restantes salas que ainda não tínhamos visitado neste sítio horroroso eu pensei “Bem, que se lixe, pode ser que ainda encontre alguma coisa de útil para a minha caçada. Qual é a pior coisa que pode acontecer?”

Respira fundo, concentra-te, permanece em paz contigo, deixa as águas do passado fluírem sem que estas afectem o presente

As últimas sete horas da minha vida foram passadas com a mentalidade de um bebé. Não que tenha feito algo de infantil, eu literalmente tornei-me infantil. Entro numa das salas controladas pelo artefacto do Dravil (para ir atrás do Firs, claro, que aquele miúdo tem um talento natural para se meter em sarilhos), vejo um flash de luz azul e bam! Sete horas mais tarde acordo a chuchar no dedo. Felizmente não me lembro de grande parte do que se passou nesse entretém.
Depois de mais umas quantas salas estranhas, uma das quais contendo um goblin que falava com uma meia na mão enquanto guardava um monte de moedas de ouro, que obviamente nos atacou (o monte, não o goblin), lá decidimos sair da masmorra/templo/coisa perdida no meio do deserto. Segundo o Dravil vão ser cerca de 3/4 dias de viagem até chegarmos a Beybrook, a cidade onde ele e o Khyrez são considerados heróis. Talvez lá tenha alguma sorte e encontre alguma pista que me ponha no encalço do espectro outra vez. No mínimo sempre seremos bem recebidos e teremos direito a um descanso merecido.

Respira fundo, concentra-te, permanece em paz contigo, deixa as águas do passado fluírem sem que estas afectem o presente, desprende-te das tuas ligações terrenas, entra no vazio e alcança a serenidade interior que te dá força

Beybrook ardeu, foi destruída e pilhada. Uma revolta qualquer deu cabo da cidade. Todos os conhecidos da Davril estão mortos ou desaparecidos. Odeio este continente, odeio os desertos, odeio masmorras cheias de coisas que nos atacam, odeio absolutamente tudo nesta missão. Mas enfim, não há mais nada que possa fazer. Depois de o Firs pegar fogo a uma carroça para tentar travar amizade com os donos da carroça (e depois de isso RESULTAR!) decidimos seguir caminho em direção à Ery. Talvez o miúdo tenha jeito para mais alguma coisa para além de se meter em sarilhos…
Eu sei que provavelmente era esperar muito chegar a Ery e encontrar o Espectro sentado à entrada à minha espera, mas com um bocado de sorte sou capaz de encontrar alguma pista. A reputação da cidade não é a melhor e esses parece-me ser um ambiente adequado para alguém que se quisesse esconder de um caçador de recompensas. E mesmo que não encontre nada de especial, o que é que pode acontecer de pior?

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Relatório de missão: A Casa de Nahal
Sucesso relativo

Querida Cara Capitã
Naeama,

lamento o atraso na escrita deste relatório. Infelizmente, fiquei fechado semanas a fio numa sala, porque perdi a chave demorei mais do que esperava a terminar esta missão. Encontrei algumas pessoas, que julgo poderem ajudar-me. Primeiro, conheci Vey, com quem estive preso estabeleci uma ligação durante cinco semanas. Fomos salvos Encontrámos depois Vismund, um mercenário caçador de recompensas agente da justiça, que procura um assassino, e Mestre Davril, que parece ser o último dos heróis de Beybrook, sejam eles quem forem. Não me recordo de alguma vez ter ouvido falar deles, mas parece que derrotaram um grupo de piratas.
Descobrimos o escritório e laboratório de Nahal, onde me apercebi que não fui feito para isto onde recolhemos algumas poções sendo que uma delas era um laxante poderosíssimo e não tive outra hipótese excepto que me apressei a identificar. Recuperámos alguns dados das pesquisas de Nahal e, ao tirar ao calhas pesquisar com cuidado os livros, fomos surpreendidos por um livro que sugou para o seu interior Vey e Mestre Davril. Eu e Vismund hesitámos imenso lançámo-nos de cabeça para os ajudar a combater contra uma Fénix que, por culpa minha, já que abri o livro por azar, matou Vey antes de o podermos ajudar. Com o resto do grupo ferido e inconsciente, entrei em pânico mantive a calma e, utilizando-me de magia para alternar entre o Plano Material e o Plano Etéreo, tentei escapar à morte ajudei os restantes a recuperar para, por fim e em equipa, derrotarmos a Fénix, conseguindo, assim, escapar do livro.
Combinei com Mestre Davril que iria com ele a Beybrook, até à Torre Arcana, onde nos darão informações sobre Ips em troca das pesquisas de Nahal. Como se pode ver, não estou preparado para isto tenho tudo sob controlo.

Aguardo notícias.
Firs Allieri

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#13 - Persona

Uhhhhhh o que é isto? Parecem cartas. Viro-me para Kyrez e digo: “Tira lá uma, estás com medo de quê? Só porque diz não mexer? Chicken…”

(algum tempo depois)

Não entendo como é que estas cabeças ocas deixam passar as minhas palavras em vão. O poder contido nestas cartas, que parecem ter sido forjadas por deuses, é demasiado magnânime para qualquer um de nós manusear.

… “É a terceira vez que digo, vamos todos sair da sala”. É então que ecoa uma voz na minha mente, levado pela ganancia, concerteza, Kthyr faz-me ameaças vãs, sem se aperceber de que o que seguro neste momento pode alterar o universo como o conhecemos. Não, não posso deixar o futuro deste mundo nas mão de alguém tão descuidado, que se move apenas por interesse próprio.
Sem arrependimento depois de sentir a alteração na sua voz, proferi “Nós nunca te conhecemos”, e ele, não era mais.

Uhhhhhh o que é isto? Parecem cartas. Viro-me para Kyrez e digo: “Tira lá uma, estás com medo de quê? Só porque diz não mexer? Chicken…”
Vismund olhava para nós do fundo da sala, eu continuava ao lado de Kyrez a tentar desafiá-lo como sempre faço. Enquanto aquele baralho, estático, provocante, continuava poisado à nossa frente. Até que por fim ele tirou a primeira carta. Estava tão perto para ver o que era que senti a deslocação de ar na minha face… E o pânico na face de Kyrez.

“Que se passou, perguntei eu?” E enquanto freneticamente se dirigia novamente ao baralho, com as lágrimas a esconder, respondeu “A minha família”

Foi então que apareceu no meio da sala um “vazio”, um vazio mais vazio que aqueles que encontramos nas outras salas e diante dos meus olhos Kyrez foi sugado para o nada.

Senti um aperto no peito ao ver aquilo, uma dor que há anos não sentia, desde Phaadgate. E pela primeira vez em anos, não consegui manter o sorriso forçado com que me defendo, ou fazer uma piada parva sobre o assunto. Senti que me caiu a máscara, fiquei atónito.
É para me proteger destes sentimentos, que não crio laços com ninguém, a vida é injusta, e os correctos nunca chegam a velho, nesta selva de mundo há ovelhas e lobos, tenho de ser lobo.

Voltei ao Inn de onde tínhamos saído minutos antes. Eu e Vismund vimos dois exploradores que se tinham perdido nestas dimensões de bolso, que nos bombardearam com perguntas… Mas estes não interessam… São ovelhas.

Só me resta encontrar Garth, para contar quanto o Kyrez o amava, lhe entregar Os Filhos da Lua que Kyrez guardava contra o peito, e pedir desculpas.

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A História do Nunca

Esta história é real. Acendam-se as luzes!

(O público passou a estar mais iluminado que o palco. Desta última posição só se via um vulto de costas direitas que expandia os braços enquanto falava com uma voz colocada.)

A escolha é mais perigosa do que muitos pensam. Ela é feita com base no irracional da nossa racionalidade. A maior parte dela é baseada na construção da nossa personalidade que, por sua vez, é baseada maioritariamente em situações nas quais não tinhamos escolha. Esta história é sobre os paradoxos do destino, as memórias e, acima de tudo, sobre as escolhas que tomamos e que nos fazem ser o que somos. Também é sobre as escolhas que nunca tomaríamos até ao momento em que foram tomadas. Chamo-me Nasyan, serei o vosso anfitrião esta noite e irei contar-vos esta parte da vossa memória, porque este fragmento é algo que a mim diz respeito.

Depois dos nossos aventureiros descerem mais um piso daquele habitat de loucura planeada, depararam-se com uma sala onde se encontrava um comando que mudava as posições das dimensões por entre o vácuo. Já reparei pelo vosso olhar que estão confusos, perdidos nas minhas palavras até. Foquem-se em senti-las mais do que em intelectualizar aquilo que vos digo. Ao organizar as peças do comando, eles perceberam que o arranjo definia passagens e, ironicamente, a primeira foi a saída para o piso seguinte.

No entanto, a curiosidade é algo demasiado perigoso nos dias que correm e esta, qual gravidade amaldiçoada, puxou as personagens desta demanda para caminhos onde o mundo não se encontra.
Inicialmente era o inofensivo de uma estalagem aborrecida e segura. Depois passou a ser o estranho das salas onde o vazio ocupava, paradoxalmente, a maior parte do espaço. Depois surgiu o melancólico representado no fantasma que pediu a Kyrez o corpo emprestado para ser abraçado por Davril. Nenhuma destas escolhas contemplava um real perigo e nada havia de realmente aversivo para afastar psicologicamente aqueles que se aventuraram.

Havia, no entanto, uma sala com um baralho de cartas. O fruto proibido estava diante de Davril e de Kyrez, sinalizado por um aviso imperativo para não ser tocado. É nestes momentos que a nossa mente mais no prega partidas. O que teria um baralho de tão especial? Qual seria o perigo…ou valor das cartas? Indo ao encontro da sua natureza, Davril retirou a primeira do topo. Nesse momento, percebeu o seu erro.

- Esta carta deixa-nos escolher um evento e faz com que ele nunca tenha acontecido… estamos a mexer com forças que não iremos controlar… – disse Davril – “É melhor deixá-la aqui.”
Neste momento entra Vismund e Kthyr na sala, preocupados pela demora. Vismund pergunta o que estão a fazer naquele local ame Kyrez explicou aos dois recém-chegados àquela divisão.

- O que estás a pensar fazer com essa carta? – perguntou Kthyr a Davril com ar desconfiado.
- Deixá-la no local onde a encontrei… – respondeu Davril de forma seca.
- Não! Essa carta é algo que pode mudar as nossas vidas! Pode mudar a minha vida… Eu… não me lembro de quem sou… Eu preciso de saber quem sou! – Kthyr esta claramente alterado enquanto estas palavras eram ditas. Estava a metros dele a possibilidade dele se recuperar, dele ter o traço que é mais característico de cada ser pensante: a sua personalidade.
- Eu vou deixá-la aqui e nenhum de nós a vai levar. Aqui ela fica protegida e…
- De quem?! Nós não chegamos cá?!
- A chave está connosco!
- E quem a criou não pode voltar a criá-la?! – de seguida Kthyr inspirou o mais fundo que conseguia, fechou os olhos e tentou acalmar-se. De forma mais calma disse de seguida para todos – Por favor… preciso mesmo desta oportunidade. É aquilo que sou que está em jogo. Vocês conseguem pôr-se na minha pele, certo?
- E se fores mau? Não podemos arriscar! – respondeu Vismund de forma distanciada emocionalmente.
- SE FOR MAU SOU EU!!! NÃO UM SER SEM MEMÓRIAS!!!
Ao ver a situação, Kyrez fala delicadamente para todos:
- E se rasgarmos a carta em quatro pedaços? Assim só a usamos quando todos aceitarem.
Sim, parece-me uma boa ideia! – exclamou Kthyr, esperançoso. Voltava a haver possibilidade de recuperar a sua vida.

- Saiam. – respondeu Davril.
- Qual é o motivo? – perguntou Kthyr.
- Eu sei o que estou a fazer.
- E não vais explicar?
- Não. Saiam!

Kthyr lê os pensamentos superficiais de Davril e diz-lhe:
- Vais dizer-me agora porque pretendes deixar a carta aqui?
- Sai da minha mente… – Davril estava ainda mais seco a falar.
- Diz o que pretendes fazer e eu não vou mais a fundo.

- Tu nunca nos conheceste! – disse Davril e finalizou-se aquela realidade perante a cara de choque de Kyrez e Vismund.

(Kthyr chega-se dois passos à frente e a sua cara é finalmente revelada. Está com um sorriso aberto na cara enquanto contempla o público, como se os conhecesse a todos.)

Sentir é a melhor forma de fingir. Obrigado por acreditarem. Esta história não é real. Apaguem as luzes!

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Vismund no País d'O que raio se está a passar aqui?!
A minha vida costumava ser tão simples… Receber um nome e uma localização, ir à localização, encher o dono do nome de porrada, entrega-lo às autoridades. Simples. Tudo isso mudou quando aceitei perseguir um assassino elfo conhecido por “O Espectro”. A perseguição levou-me a atravessar o mar até um templo no meio de um deserto em Proenia. As coisas pareciam estar a correr bem: pouco tempo depois de ter entrado no templo encontrei uma passagem secreta que me permitiu passar directamente para o andar de baixo. A partir daí, bem, vejamos: passei duas semanas numas escadas mágicas que pareciam não acabar, quando finalmente saí encontrei uns tipos que me apontaram uma espada a uma região muito sensível, lutei contra armaduras mágicas e um tapete (por incrível que pareça o tapete foi o mais difícil), dois monstros com um olho, um monte de talheres e uma mesa (que meteu o halfling inconsciente), fui teleportado para o meio do deserto e tive de fazer o caminho todo de volta, tive de resolver o enigma da sala com um monte de portas e quase morri num corredor infinito de armadilhas. Sem esquecer o concurso de dança com os fantasmas. Ah, e ainda tive de lutar com um monte de gosma ácida! Está certo podia ter sido pior, pelo menos os gajos que me apontaram uma espada à região sensível estavam comigo. Depois de 2 anos a caçar sozinho é bom ter companhia outra vez. Apesar de ser uma companhia muito estranha. Ou por outra, uma companhia a quem acontecem coisas estranhas. E um belo exemplo disso é a cabeça de um deles ter acabado de rebentar em mil pedacinhos de papel. Por incrível que pareça, o Kyrez (actualmente sem cabeça) não parece afectado pelo acontecimento, e os outros dois, o Dravil e o Kthyr, também não parecem incomodados. Isto deve ser o mais próximo de tomar drogar sem realmente tomar drogas.
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Zoblins, zoblins e mais escadas
Uma tragicomédia por Kyrez Savaeth

Cena 1

KYREZ (descendo escadas) Não acham que já chega?

DAVRIL (saltitando alegremente, degrau a degrau) Não, claro que não!

KYREZ Já descemos oitenta lanços de escada. Eu diria que estamos numa ilusão.

KTHYR A vida é uma ilusão. Quem sou eu que não sei quem sou? Que segredos habitam nos campos vazios da minha lembrança?

NAFID Pois…

KYREZ Davriiiiil!…

DAVRIL Vá lá, só mais um lanço de escadas… Só te queixas! Já com os Zoblins foi a mesma coisa!

Cena 2

KYREZ (debaixo de dois Zoblins mortos, enquanto um terceiro se lança sobre ele) Não acham que já chega?!

ZOBLIN gaaaaaaaahhhh….

NAFID Pois…

KYREZ A sério?! Mais um goblin zombie?! Já tenho três em cima de mim! Tenho de atacar este através de dois corpos putrefactos que nem sei se estão ainda a lutar ou não!

KTHYR Estaremos nós a lutar? Ou é tudo isto sonho? Será que ELDRITCH BLAST! a morte é apenas outra vida?

DAVRIL Se o Kyrez morrer, as coisas dele são minhas. Ele deixou-mas em testamento!

KYREZ Davriiiiil!!!…

ZOBLIN gaaaaaahhh!

Subitamente, surge, espectral, a figura de Umber, velho companheiro, morto em combate

KYREZ Umber?! Que graça dos deuses te trouxe de volta?

KTHYR Terá sido esse o dom que me originou? Graça de demónios ou maldição de deuses. Três vezes ELDRITCH BLAST! abençoado seja o meu nascer, três maldições carregue o meu existir!

Umber toca em Kyrez, devolvendo-lhe vida e força de lutar.

KYREZ Ei! Onde é que estás a pôr as mãos? Vê lá o que… Ooooh!

Kyrez, tomado por uma nova energia, rodopia pelos ares, derrotando os restantes inimigos.

DAVRIL Umber! Que fazes aqui?

UMBER Sei lá! Deixem-me em paz!

Umber dirige-se a uma parede e atravessa-a, desaparecendo para sempre.

Cena 3
O mesmo cenário da primeira cena.

KYREZ Não acham que já chega?!

DAVRIL Só descemos cem lanços de escadas!

KYREZ Davriiiil!!!….

DAVRIL Pronto, pronto! Era só para ter a certeza! Agora tenho. Estamos presos numa ilusão.

KTHYR Não estivemos sempre? A ilusão de ser alguém, a ilusão de que somos mais que meros peões no invisível tabuleiro do infinito?

NAFID Pois…

Cai o pano.

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#9 - À Morte e Aos que Viveram Além Dela

Depois do “choqueinicial do encontro com Kthyr e com razões suficientes para estranhos seguirem caminho juntos, começou uma viagem no deserto que se revelaria triste para os nossos aventureiros. O caminho infindável obrigou a uma pausa onde estes tiveram tempo para refletir um pouco mais sobre a sua situação.

Na manhã seguinte, Kyrez abordou Khtyr:

- Começamos a nossa relação da forma errada e venho ter contigo para me redimir… mas percebes porque o fiz, correto? – questionou Kyrez em jeito de desculpa. – Não tinhamos outra opção e eu, pessoalmente, tenho demasiadas razões para acreditar que o azar existe e que está à espreita para me magoar onde parece haver uma inocência inofensiva de acontecimentos…

- Percebo, sim. – afirmou calmamente Kthyr. – Não havia razões para confiarem em mim e, se viram o que viram e isso foi a origem do nosso encontro, é mais que compreensível. Eu, provavelmente, agiria de uma forma parecida… excluindo a parte dos genitais. Se estivessemos em posições opostas, eu deixaria os teus genitais tranquilos. – com isto soltaram os dois uma gargalhada que, apesar da solidão do deserto não a corresponder, tinha uma cumplicidade tácita e uma honestidade.

- A um novo começo? – perguntou Kyrez enquanto erguia a mão aberta em direção a Kthyr.

- A um novo começo! – exclamou Kthyr enquanto fez o mesmo. Apertaram as mãos e aí a sua relação recomeçou da forma certa. – Agora que temos mais confiança, posso dizer-te que a única coisa que me pareceu real em relação às minhas memórias foi um sonho que tive esta noite. É estranho explicá-lo assim, mas imagina o paraíso, o local perfeito onde a luz brilha de forma diferente…

- Certo! – estava Kyrez a olhar com curiosidade com um sorriso na cara.

- Agora imagina o oposto. O ambiente mais sádico e sombrio que podes imaginar. Um cenário de guerra, onde vez o sofrimento mais arrepiante e abominável.

- Certo… – Kyrez parecia confuso e incomodado.

- Agora imagina que esses ambientes intercalavam… paraíso. Inferno. Paraíso… inferno… Não sei o que significa, mas sinto que são memórias minhas. Estranho de dizer, não é? Talvez de uma guerra que tenha vivido na minha vida e dos momentos antes dela… não sei…

Nesse momento, Kyrez retira um papel do bolso e passa-o a Kthyr – Este poema diz-te algo?

“Sua mãe a justiça

Seu pai escuridão”

 

- Estes versos dizem-me algo, mas não como opostos. Seriam mais como complementar. Sinto que a minha origem está alicerçada à sua convergência. Eu sei que isto é um paradoxo, mas penso que nasci deste paradoxo… No entanto, não como pai e mãe que isto faz sentido para mim… desculpa ser confuso naquilo que digo, mas eu próprio o estou… no entanto, isto faz com que me lembre de um palco de teatro, mas não percebo o seu contexto…

Kyrez começou a enumerar peças de teatro. Apesar de todas elas aparecerem na memória superficial de Kthyr, nenhuma delas parecia criar uma ponte com o “palco” que ele tanto falava. Decidiram seguir viagem.

 

Passado uns largos quilometros pelo deserto, deram por si junto a uma entrada com duas estátuas idênticas e entre elas uma entrada.

- Qual é o plano? – inquiriu Kyrez. Quando o faz repara que Kthyr estava paralisado a permutar o olhar de estátua para estátua de forma frenética. Preocupado passa-lhe a mão à frente da cara e pergunta “O que se passa?!”

- Lembras-te do paradoxo? – perguntou Kthyr de forma distante. – É isto… paraíso, inferno, paraíso… inferno…

- Bem… vamos entrar? – disse Kyrez incomodado e confuso mais uma vez ao resto dos aventureiros. Davril continuava a ser uma incógnita, tirando os sinais que enviava aos seus companheiros.

Umber começou a tentar elaborar um plano. Acenderam tochas e, enquanto Umber e Kyrez ainda discutiam o plano, Kthyr decidiu entrar e descer os degraus que os afundavam debaixo do deserto, qual morto a ser enterrado de livre vontade. Os outros seguiram-no. Ao fim dos corredores sombrios iluminados apenas pela tocha encontraram uma porta. Kthyr, na irracionalidade provocada na ânsia de querer saber mais, espreitou pelo buraco que a mesma tinha. Esse erro custou-lhe caro. Uma flecha atravessou-se nele e a dor fez com que o mesmo não conseguisse gritar… ou que tivesse gritado sem conseguir expulsar ar dos pulmões e, consequentemente, gritasse um imenso silêncio.

 

Passada a dor, entraram na sala seguinte, onde se encontrava uma teia gigante. Um medo racional ou irracional fez com que eles decidissem queimar a teia. Nesse momento materializaram-se dois aracnídeos que, pelo seu tamanho, explicavam a dimensão daquela construção. Esses seres decidiram atacar a equipa e a equipa decidiu responder. A batalha foi, no mínimo, estranha. Uma aranha tombou com os golpes e outra parecia ter perdido o controlo com algo que parecia ser um ataque de riso, se se pode considerar que estes bichos desprovidos de intelecto refinado podem rir. Esta última aranha desapareceu nesse momento. Em simultâneo, Kthyr teve o seu primeiro vislumbre da existência de Davril para depois o ver a cair ao tentar abrir uma porta que libertou um gases. Davril tinha adormecido profundamente. Umber desloca-se para o tentar arrastar para um local mais protegido e nesse momento, o ser que se tinha desmaterializado materializou-se outra vez. Kyrez e o resto da equipa atacaram-no freneticamente, o que fez a existência desse ser acabar na materialização da sua morte no local.

Quando se preparavam para descansar, apareceu, serpenteando, um ser que por si só era feito de serpentes. De seu nome medusa, aproximou-se de Kyrez, aquele que mais precauções tinha tomado para não ser surpreendido e antes que este conseguisse golpeá-la, viu-se transformado em pedra. As últimas palavras que ouviu vieram de Kthyr a falar-lhe na cabeça para sair dali. Ali jazia um morto com a sua tentativa de se agarrar à vida imortalizada. Kthyr só teve tempo de agarrar em Davril e sair daquele espaço que imortalizava mortos, visto que Umber também sofrera do mesmo destino que Kyrez.

Quando Davril acordou, Kthyr explicou-lhe o ocorrido. Isto fez com que o halfling tivesse a reação imediata de tirar um espelho do bolso e dirigir-se ao local onde o perigo habitava. Esse mesmo perigo, ao ver o seu reflexo nesse espelho, transformou-se naquilo que transformava os outros. Passou a ser uma estátua. Davril partiu essa estátua para ter a certeza que ela não contrariava o seu destino e, num ato estranho, Kthyr recolheu uns fragmentos da mesma e guardou-os. O desespero começa a partir deste momento. Kthyr convenceu Davril que, apesar de estarem no meio do deserto, deveriam tentar tudo para reverter a morte dos seus camaradas. Conseguiram levar a estátua de Kyrez para as portas do deserto, mas o azar e a falta de força definiu que Umber acabara com uma sorte diferente. Quando deram por si, viram que tinham o corpo desse guerreiro que desafiava o mais corajoso com a sua loucura pela batalha no chão, partido em mil fragmentos. Sofreram sem o mostrar, porque não havia tempo para emoções. Tinham um barco para apanhar. Na cidade poderia existir solução para reverter o mal de Kyrez e o barco que os levaria lá voltaria em 5 dias.

A travessia do deserto lembrou o quão pesado pode ser arranjar forças para salvar uma vida. A persistência definiu a caminhada e passado uns dias encontraravam-se no templo da cidade, onde uma mulher do clero lhes disse que poderia salvar Kyrez da maldição em troca de uma quantia avulsa de dinheiro. Não havendo muito por onde discutir, Kthyr e Davril fizeram de tudo para juntar migalhas, centenas e milhares de migalhas que definiriam a continuidade do nosso aventureiro petrificado. Enquanto Davril tentou resolver o problema com promessas, negócios e eventos, Kthyr tentou resolvê-los com truques, ilusões e enganos que, sendo errados na sua base, serviriam um bem certo e só atraiam quem deixava o orgulho ganhar à racionalidade e apostava. Ao fim daquelas duas semanas e durante uma vigília que Davril teve a ideia de organizar para angariar fundos para salvar Kyrez, conseguiram “acordar” este companheiro de viagem.

 

Regressaram àquele labirinto da morte, contra o instinto de Kthyr. Este pressentia que algo iria correr mal outra vez, mas não iria deixar os seus camaradas ao abandono, ficando sozinho com o seu medo. Havia respostas a procurar e eles prometeram ajudá-lo nas mesmas. Teria que ir com eles. A escuridão intensificava-se à medida que iam descendo e, ao entrar numa sala, Kthyr acionou uma armadilha que fez com que uma parede o projetasse para um fosso. Kyrez tentou salvá-lo e para isso, fez-se voar, abriu uma porta e apoiou-se no rebordo da porta, sem ver que, nas suas costas, se encontravam duas lâmias. “Larga a corda!” – comandaram elas com um sorriso na cara. Começou mais uma batalha para os nossos heróis.

Enquanto Kyrez aguentava uma delas, a outra projetou-se para o fosso disfarçada de humana indefesa. Kthyr fez com que se expandisse a sua escuridão naquele espaço abaixo do chão e quis controlar a situação. Provavelmente teria tido mais sucesso se não estivesse preocupado em perceber se aquele ser era inocente ou se era uma armadilha. Não querer ter o peso de atacar alguém que não merecia demonstrou ser a sua maior fragilidade. Kyrez tinha-o avisado o que é que aquele ser realmente era, mas o nosso herói só se acreditou quando ela se revelou e o meteu às portas da morte. Khyr só teve tempo de pedir ajuda num grito arrependido por ser tão ingénuo e tombou no chão.

Ao ver o estado do seu companheiro e depois de derrotar a outra lâmia, Kyrez lançou uma corta em redor do monstro enganador e levitou-o. Davril enfrentou o seu medo e foi agarrar Kthyr à vida no exacto momento em que o seu coração se preparava para dar o último batimento. A lâmia encontrava-se agora em desvantagem. Tentou soltar-se, mas Kyrez foi mais astuto e largou-a de uma altura onde ela não se conseguiria recompor de imediato e investiu para cima dela.

Ao perceber o que se tinha passado, Kthyr deixou-se controlar pelo ódio. Quando a lâmia caiu, este fez questão de não só lhe dar o golpe final, como desfazê-la em pó. Não parou de a usar como alvo até sentir que a sua sede de sangue estava saciada. Era desnecessário, mas, de alguma forma, fazia sentido. Um bocado a medo, Kyrez mete-lhe a mão no ombro. Este vira o resto e a perceber a cara do seu companheiro, esboça um sorriso pacífico sem nenhum tipo de hostilidade e diz em gesto de brinde sem copo “À morte!”. Kyrez responde-lhe, completando uma frase que parecia já estar completa: “E aos que viveram além dela!”.

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#8 - Raios e trovões

Umber devia a sua estadia na prisão de Beybrook ao seu mau julgamento, a sua brevidade a Kyrez, o recuperar do seu equipamento a Davril. Todos menos Umber, conformado com a sua situação, tentaram à sua maneira resolver o problema por ele criado. Correndo tudo pelo melhor, partiram eles, agora como homens livres, rumo ao paradeiro de Nahal, o feiticeiro.

Naquela já conhecida casca de noz zarparam rio acima, acompanhados pelo mesmo trovejar da noite anterior. Este, na ausência de Nafid, foi o seu quarto companheiro, até que, perto de um lago toda a força dessa luz se juntou, caiu e cessou.

Nesse ponto de embate jazia um homem, confuso, nascido ali no meio daquela cratera. Confusão era de facto o sentimento instaurado, só Davril assistia divertido a toda aquela situação, são tolos aqueles humanos, pensou.

Após incertezas e as devidas cautelas, Kyrez, disse um. Kthyr, disse o outro. Ninguém merece ser deixado sozinho à mercê da sua cabeça despida. Assim, juntos, somaram mais um companheiro e seguiram rumo a Nahal. Durante quanto tempo duraria tal companhia? Só o tempo e as memórias o poderão contar.

 

 

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#7 - Uma Chama

A nossa estadia em Beybrock tem-se tornado mais suportável, acabei por aprender os costumes da cidade e reconhecer as boas colheitas da zona.

Na nossa curiosidade de saber mais sobre Ips, acabámos por ir a uma torre de feiticeiros nesta cidade, uma torre alta sem marcas de construção, ao entrar juntamente com Kyrez, fomos recebidos por um miúdo, um pouco mais alto que eu, que após uma breve conversa nos encaminhou para falar com um dos mestres. Este pouco ou nada disse de Ips, mas perguntou se estaríamos interessados em subir o rio até Red Waste para encontrar a casa/laboratório de um feiticeiro de ideias revolucionárias chamado Nahal.

Estremeci só de ouvir o nome daquele deserto tão próximo das minhas origens, a minha primeira reacção foi tentar arranjar tempo, e rápidamente me propus a ajudar e a estudar ideias arcanas. Quanto mais tempo conseguir melhor.

Não é uma má altura para começar em treinos arcanos, e por mais difícil que seja, qualquer alternativa a ir para norte me parece razoável. Passei o dia a consultar livros velhos e antigos, e após isso pediram-me para criar uma chama na mão, algo que certamente faria com facilidade, não fosse ter a cabeça cheia de pensamentos, num pesar constante de prós e contras sobre ir ou não para norte. Afinal deve haver tesouros, e objectos de valor que possa trocar, eu sei que é perto, mas ainda tenho meio deserto de distancia. Se passar despercebido talvez ninguém note.

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