Mare Nostrum

#1 - A Fúria de Talos

A queda no paraíso

Negro o firmamento, as nuvens chocavam e os trovões ribombavam. A pequena embarcação tremia por entre as colossais ondas. A quietude da noite foi incomodada pela azáfama do pânico correndo para arriar as velas. A cadência celeste marcava o ritmo dos marinheiros, remavam pelos presentes, pelas suas famílias, pelo seu futuro.

Talos, na sua maldade, decidiu o destino de tal embarcação. Rasgada por um relâmpago, partida ao meio, selando o destino dos seus viajantes. Será algum merecedor de tal ira? Terá algum condenado todas aquelas almas?

Agora, na serenidade daquela lua cheia, cinco sobreviventes, perdidos à mercê da deriva, procuram esperança no horizonte. Tão longe, tão cansados, um por um, deixam-se render ao conforto das ondas, ao seu destino. Iged inexaurível, entre braçadas, recusa-se a desistir, é ele senhor do seu próprio destino.

Terra. Terra por fim. Cheguei ao paraíso…

O calor do sol matinal desperta o único náufrago, olha em redor e encontra cinco inertes vultos. Apressa-se. Estariam eles vivos? Como poderiam? Todos menos um, expiram o oceano. Todos menos um voltam a si. Felizes que estão, nunca viver soube tão bem.

Naquela praia, banhados pelo Mar de Gyll, começam um novo capítulo. Totais estranhos juntos sob a mesma adversidade, juntos perecerão, juntos perseverarão.

Chegaram. Chegaram ao paraíso…

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tiago_msag

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