Mare Nostrum

#3 - Dravil vs Istus

O Livre contra o Destino

Outra vez quase a morrer afogado?! Tenho de repensar seriamente as minhas capacidades físicas…  Abençoada seja a minha sorte que acabei por voltar à costa, estafado, mas vivo. Pelos meus cálculos e posição da lua, tinham-se passado algumas horas, por isso corri o mais que pude para alertar os que aqui me fazem companhia dos perigos da aldeia. Foram mais trafulhas que eu. Certamente, pensando que eu estaria morto, puseram o bosque vizinho da aldeia em chamas e, com a distração do incêndio, conseguiram roubar o barco.Se não fosse eu ter feito um “flare” que eles conseguissem identificar, teria ficado preso naquela ilha.
 
Já em mar alto, pus-me a pensar que seria daquelas mulheres e crianças que deixámos para trás, mas por pouco tempo. Kyrez lembrou-se que tínhamos de camuflar as velas do barco para não sermos confundidos com piratas mal chegássemos à costa e, a ideia  de a tripulação cagar para dentro de um barril para depois espalhar na vela, foi tão boa ou tão ridícula que nem tive coragem de dizer que facilmente conseguiria resolver a situação com uma pequena ilusão. Ao fim e ao cabo, nunca recuso uma boa gargalhada, e o que eu me ri naquele dia. Por pouco tempo, mas ri…
 
Istus tem maneiras engraçadas de te pôr à prova: vivi numa prisão, estive preso numa ilha,  trancado numa solitária. Nada que não esteja habituado, sempre lutei e criei o meu próprio destino.
Assim que chegámos à costa, fomos encarcerados por suspeita de pirataria, apesar do plano engenhoso da vela. Na solitária, entretive-me a fazer pequenas ilusões, para passar as horas. A mais recorrente era a cara do guarda que me atacou quando estava na cela junto dos meus companheiros, quero ver se não me esqueço de quem realmente merece que o destino lhe faça uma visita.
 
Acabámos por ser todos levados para o que eu chamaria de labirinto. Segundo percebi, quando há dúvidas sobre a culpa de algum crime, o grandioso, glorioso e todo o poderoso Rei Zenit manda a escumalha dar uma volta numa sala gigante com paredes dançantes. Ainda vi que havia umas armadilhas e demorámos a perceber que, as chaves que íamos encontrando para abrir umas portas verdes, voltavam a aparecer magicamente nos cofres de onde as tínhamos tirado. Depois de perceber isso, até foi fácil, o único desafio, realmente, foi combater contra aquilo a que chamaria das nossas sombras. Havia uma sombra para cada um de nós, a minha sinceramente era a mais bela. Com muita pena minha, esta não tinha o mesmo espírito jovial, pelo que recusou o meu high five e tive de atacá-la. Se posso dizer algo, é que aquelas coisas não estavam para brincadeiras, porque  naquele combate breve, mas intenso, mataram o Quasi-Mudo (Iged) e é a última coisa que me lembro daquela sala.
 
Acordei, não sei bem quantas horas depois, numa taverna catita, num local com gente bem duvidosa, o género de que gosto. Tinha uma carta na cabeceira da cama, a informar com pompa e circunstância a “minha Excelência” de que teria direito a uma noite e refeição na estalagem onde me encontrava presentemente. Fiquei na dúvida se o pessoal destes lados é só estúpido ou … isso. 
 
Os meus companheiros concordaram em ir dar uma volta pela cidade e perguntar à Guarda onde se encontrava o corpo do recentemente falecido. Não demorámos muito a saber que estava no templo: lá jazia o senhor, não notei muita diferença de actividade em relação a ele vivo, se não soubesse, diria que estava a meditar ou lá o que faz ele nos seus silêncios… fazia.
Soubemos que havia um membro da ordem dele na cidade e, como pareceu o mais correcto à maioria informar o templo ou alguém de lá o que se tinha passado, corremos pelas estalagens da cidade com o intuito de encontrar tal personagem. Ao encontrarmos o segundo careca eu apressei-me a dizer que o amigo dele tinha falecido de forma violenta. Perguntei-lhe, depois,  se ele precisava de ajuda nalguma coisa, qual é o meu espanto quando o otário, pertencente ao Círculo Religioso Obsoleto dos Majestosos Otários, me atacou. Bem, o amigo dele também o era um bocado, mas notei logo que este era mais devoto. Não fosse o pessoal a interceder por ele e a segurá-lo, por saberem quão perigoso eu sou, este tinha ido fazer companhia mais cedo ao amigo.

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tiago_msag

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