Gringor Kulenov

Half-Orc Fighter

Description:
Bio:

“Já se faz tarde, hoje não é o dia” – cuspiu Wrothgar. A temperatura amena bem dizida já há muito se escapara, tendo recaído sobre a patrulha o manto da noite, e com ele, ventos mortíferos para qualquer tocha. Tanto valia para eles, hoje não seriam acompanhados pelo fogo. Pelo menos, não voluntariamente.
A estrada deserta lembrava Gringor a rua que passava todos os dias quando crescia no vilarejo de Mountain Pass, no topo das montanhas quase desoladas de vida de Origon. “Único sítio onde os dias pareciam ter 30 horas e o ano só duas estações” dizia Rockeford Kulenov, depois de mais uma jornada a pastar as poucas ovelhas da família. As cicatrizes descrevem Rockeford, e o seu porte brutesco não abranda as suas falas. Senhor da sua idade, já não tinha cabelo quando Gringor nasceu, e a sua mãe…
A verdade, é que não sabia de nada sobre a sua mãe, e Rockeford era duro, frio e vazio quando o interrogava. Só depois de muitos gritos, insultos (e uma dose não saudável de vinho doce) é que Gringor conseguiu uma pulseira banhada a ouro com duas pequenas safiras, gasta pelo tempo e mau uso, com uma pequena inscrição esculpida por mãos inexperientes na arte, reproduzindo crudemente Hellga. Vendo a expressão de angústia tal que um pequeno objecto conseguia, devolveu-a, não ousando a pedir tais coisas de homens cansados.
Aprendeu a cuidar de si naquela quinta, e, talvez mais importante, a cuidar dos mais importantes para si, pois as feridas das memórias de feitos passados não se curam com garrafas vazias e corpos usados não trabalham com mentes assombradas. Foi a ouvir as aventuras e desaventuras de agora um imóvel soldado, que Gringor decidiu explorar todas as cidades, vilas, praias, montanhas, academias, bibliotecas e principalmente, as grandes batalhas onde passara tanto tempo da sua infância a praticar.
Rockeford faleceu num dia frio de Inverno, dando ao seu único herdeiro todas as suas posses terrestres.
Gringor vendeu tudo que pôde e não pôde para pagar as dívidas da família, e ainda sobrou-lhe o suficiente para arranjar uma posição numa caravana de comerciantes destinados a algum sítio menos Mountain Pass, e isso era suficiente para Gringor.
-“Gringor! Onde vais?!” – um par de olhos confusos persegue um vulto barulhento no lamaçal.
-“Mas que…? Quem é qu… Uma caravana? A esta hora? E com tantos guardas?” – Wrothgar rapidamente se ergue do seu estado sonolento. No horizonte uma dança de pirilampos grita sons de batalha e sangue, com Leoncoeur a rosnar na sua direcção. Uma imagem definitiva para o inexperiente mercenário.

Gringor Kulenov

Mare Nostrum UristMcTiago