Mare Nostrum

#13 - Persona

Uhhhhhh o que é isto? Parecem cartas. Viro-me para Kyrez e digo: “Tira lá uma, estás com medo de quê? Só porque diz não mexer? Chicken…”

(algum tempo depois)

Não entendo como é que estas cabeças ocas deixam passar as minhas palavras em vão. O poder contido nestas cartas, que parecem ter sido forjadas por deuses, é demasiado magnânime para qualquer um de nós manusear.

… “É a terceira vez que digo, vamos todos sair da sala”. É então que ecoa uma voz na minha mente, levado pela ganancia, concerteza, Kthyr faz-me ameaças vãs, sem se aperceber de que o que seguro neste momento pode alterar o universo como o conhecemos. Não, não posso deixar o futuro deste mundo nas mão de alguém tão descuidado, que se move apenas por interesse próprio.
Sem arrependimento depois de sentir a alteração na sua voz, proferi “Nós nunca te conhecemos”, e ele, não era mais.

Uhhhhhh o que é isto? Parecem cartas. Viro-me para Kyrez e digo: “Tira lá uma, estás com medo de quê? Só porque diz não mexer? Chicken…”
Vismund olhava para nós do fundo da sala, eu continuava ao lado de Kyrez a tentar desafiá-lo como sempre faço. Enquanto aquele baralho, estático, provocante, continuava poisado à nossa frente. Até que por fim ele tirou a primeira carta. Estava tão perto para ver o que era que senti a deslocação de ar na minha face… E o pânico na face de Kyrez.

“Que se passou, perguntei eu?” E enquanto freneticamente se dirigia novamente ao baralho, com as lágrimas a esconder, respondeu “A minha família”

Foi então que apareceu no meio da sala um “vazio”, um vazio mais vazio que aqueles que encontramos nas outras salas e diante dos meus olhos Kyrez foi sugado para o nada.

Senti um aperto no peito ao ver aquilo, uma dor que há anos não sentia, desde Phaadgate. E pela primeira vez em anos, não consegui manter o sorriso forçado com que me defendo, ou fazer uma piada parva sobre o assunto. Senti que me caiu a máscara, fiquei atónito.
É para me proteger destes sentimentos, que não crio laços com ninguém, a vida é injusta, e os correctos nunca chegam a velho, nesta selva de mundo há ovelhas e lobos, tenho de ser lobo.

Voltei ao Inn de onde tínhamos saído minutos antes. Eu e Vismund vimos dois exploradores que se tinham perdido nestas dimensões de bolso, que nos bombardearam com perguntas… Mas estes não interessam… São ovelhas.

Só me resta encontrar Garth, para contar quanto o Kyrez o amava, lhe entregar Os Filhos da Lua que Kyrez guardava contra o peito, e pedir desculpas.

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primordium

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