Mare Nostrum

#5 - Filhos da Lua

Medalhas?! Depois de tudo o que nos fizeram?! Ouro não paga a vida de Iged, nem a dos pobres soldados que decoram agora o fundo do mar junto a Beybrook. O pequeno banquete, que partilhámos com os restantes sobreviventes, foi mais honroso que qualquer medalha. Recusar, portanto, qualquer honra que este governo nos queira prestar é o mais correcto.

Assim, decidi concentrar os meus esforços numa tarefa mais a meu gosto: vasculhar os Arquivos da cidade. Não só descobri que Ips passou, há muitos anos, por aqui (e que era alguém com quem teria, porventura, gostado de partilhar ideias e um copo de vinho quente com especiarias), como também que o meu pai sobreviveu à minha fuga e escreveu uma obra para mim: "Os Filhos da Lua". As lágrimas que quero derramar são mais que aquelas que alguém pode suportar. Há em mim um misto de alegria e saudade, que não saberia descrever em mil versos.

É esse sentimento que se apodera de mim, que me vibra na voz enquanto toco num concerto privado para um dos nobres da cidade. É esse sentimento que me faz tremer os dedos ao receber o magnífico alaúde com que ele me presenteia. É essa sensação, a de um tempo perdido, tão perto e tão longe, que me faz sentar frente ao palácio e é esse sentimento que me enche os pulmões quando as palavras ecoam na noite:

" Sem os ouvir

Sem os louvar

O chicote a zurzir

Sem os julgar…"

 

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tiago_msag

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